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Tudo Sobre Dentes 
Esta seção é um informativo sobre a importância da Higiene e Saúde Bucal.
Piercing Bucal: riscos e conseqüências
O senso de beleza dos jovens determina a maneira como eles desejam apresentar-se aos outros. Essa necessidade estética pode ser influenciada pela cultura e pela auto-imagem.
Da mesma forma que os ubangis distendiam os lábios e os maias adornavam os dentes com incrustações de jadeíta, o piercing (perfuração em inglês) data da época do antigo Egito. Nos dias atuais, o piercing é utilizado principalmente pelos jovens por modismo, geralmente relacionado à música, arte, cultura ou motivo de confronto com os familiares.
O piercing bucal pode ser confeccionado de aço inoxidável, ouro, prata, teflon, acrílico e titânio em diferentes formatos ou tamanhos (podem existir reações alérgicas, se o acessório não for de metal puro).
O piercing de lábio (labrette) pode ser colocado na região do lábio superior ou inferior, bilateral ou centralmente. Já o piercing de língua (barbell) geralmente é colocado na porção anterior e central da língua. A cicatrização é lenta, aproximadamente 5 semanas, em função da movimentação do lábio e da língua.
Os colocadores de piercing não são capacitados tecnicamente para utilizar anestesia, ou seja, o procedimento é realizado com dor. Além disso, não há fiscalização por parte de órgãos como a vigilância sanitária que tornem legal e segura essa prática. Os colocadores não possuem conhecimento sobre esterilização, controle de infecção e cuidados pós-operatórios, podendo prejudicar a saúde geral do paciente.
Assim, o piercing na região da boca pode causar conseqüências indesejáveis como dor e edema (inchaço), aumento de salivação, formação de abscessos, cistos e dificuldade para falar e mastigar. Em casos mais graves, pode haver septicemia (infecção generalizada), infecção nas vias respiratórias, danos a estruturas profundas como veias e nervos, aspiração do acessório e câncer bucal em função do constante traumatismo do acessório na boca. Além disso, não se pode esquecer do risco do paciente de adquirir doenças contagiosas como AIDS, hepatite B, tétano, sífilis e tuberculose, pelo uso indevido de materiais não esterilizados. Os problemas dentários mais comumente encontrados são dentes lascados ou quebrados devido ao movimento do piercing na boca. A gengiva também pode ser prejudicada devido ao contato progressivo com o metal do piercing, causando recessão gengival.
Em relação à higiene, cuidados extras devem ser tomados. O piercing deveria ser removido para a escovação da língua e totalmente limpo, o que, erroneamente, não é indicado pelos colocadores. Entretanto, quando houver inflamação o piercing deverá ser imediatamente removido e não recolocado.
Em função das conseqüências indesejáveis, os pais devem aconselhar os filhos e instruí-los em relação a não utilização de piercing na região da boca. Se mesmo assim o jovem insistir em usá-lo, devem estar atentos a quaisquer seqüelas causadas pelo piercing bucal, bem como as razões sociais e psicológicas que levaram seu filho a procurá-lo.
No entanto, se mesmo ciente dos riscos o paciente insistir no seu uso, devemos aconselhá-los que procurem locais que prezem pela higiene e assepsia.
A moda do twinkle ou adesivos, vêem ao encontro dos modismos e desejos juvenis dos que querem ousar de uma maneira mais conservadora, preservando a saúde dos tecidos bucais.
Graziela De Luca CANTO - Professora Assistente (Mestre) da disciplina de Oclusão da UFSC
Joecí de OLIVEIRA - Professora Adjunto (Doutora) da disciplina de Odontopediatria da UFSC

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